Uma Ilha de pinguins no fim do mundo em Ushuaia

- Atualizado em 18 de outubro de 2015 - , , , , , ,

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Definitivamente a atividade pela qual mais ansiosamente  aguardava fazer durante minha passagem por Ushuaia era o encontro com os pinguins. Afinal, não tem como ir ao Fim do Mundo e sair de lá sem ver um mísero pinguinzinho patagônico se quer.

Existem diferentes pacotes vendidos pelas operadoras de turismo de Ushuaia que possibilitam a visita aos pinguins. Os preços variam de 550 a 1200 pesos, conforme o meio de transporte (veleiro ou catamarã), e se você vai descer para fazer um percurso terrestre, opção esta de passeio mais longo e caro. Eu escolhi visitar a Ilha dos Lobos Marinhos, Ilha dos Pássaros, Farol Les Eclaireurs e  Ilha dos pinguins (Ilha Martillo), com um catamarã da empresa Tolkeyén. Realizei a compra do passeio diretamente no Porto de Ushuaia, no dia anterior.

No albergue onde fiquei o pessoal havia me dito que esse passeio tinha o melhor custo (750 pesos) benefício já que o catamarã pararia “na cara” dos pinguins, porém sem possibilidade de descer para uma caminhada terrestre. De fato você fica muito perto deles mesmo, mas, todo mundo que vai no catamarã fica meio aglomerado tentando ver os bichinhos. Já no outro programa, o “Piratour”,  é permitido aos turistas realizarem uma caminhada próxima aos animais, ao custo de 1200 pesos. De qualquer forma, os monitores determinam uma distância segura entre visitantes e animais, de modo que não é permitido tocá-los ou aproximar-se demasiadamente.

Para as duas opções, você embarca no Porto de Ushuaia e pronto, logo estará navegando pelo famoso Canal de Beagle em um confortável catamarã de dois andares. Assim que a embarcação começa a andar, você tem o primeiro privilégio. Uma vista linda da cidade de Ushuaia que aos poucos você vai deixando para trás.


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Logo estamos diante do Farol Les Eclaireurs, também conhecido como “Farol do Fim do Mundo”.


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Seguindo a navegação, você vai achar que estará vendo pinguins. Mas calma aí, ainda não é a hora. A Ilha dos pássaros é repleta desse bichinho que é de fato muito parecido com um pinguim, o chamado “cormorão”. Os cormorões voam e também são conhecidos como corvos-marinhos, coisas que não tem nada a ver com o pinguim verdadeiro, hehe.


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Mais adiante, viramos plateia dos lobos marinhos que ficam ali descansando na sua ilha. Eles dividem espaço com algumas aves que passam por ali buscando alimento e ponto de pouso.


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A próxima parada é a tão esperada Ilha Martillo, ou Ilha dos pinguins. O catamarã chega bem pertinho mesmo e fica parado uns bons minutos pare vermos aquelas gracinhas.

 

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O passeio durou no total seis horas e valeu muito a pena. Não tem como ir a Ushuaia e não incluir a navegação pelo canal de Beagle e a visita à ilha dos pinguins.  Se eu fosse optar hoje, pagaria mais e faria o Piratour, porque eu fiquei no catamarã me coçando para não descer e tentar ver eles mais de perto. Até por que, vi também as fotos e troquei ideias com outros turistas do albergue que me falaram que valia muito a pena.

O site da secretaria de turismo de Ushuaia (clique aqui) tem informações atualizadas em Português sobre as opções de passeio para navegação no Canal de Beagle, bem como horários e preços dos programas.

Você pode conferir mais sobre Ushuaia (aqui) e sobre a Patagônia (aqui) no Escolho Viajar.


 

Postura ereta, passinhos curtos. O Juca é uma ave, mas voar não voa não. Juca olha algumas aves que chegam pelos céus e olha para as suas asas. Lhe intriga o fato de que elas não servem para fazer o mesmo do que quem sobrevoa sua cabeça e atacas os ovos das pinguins fêmeas o faz.

Um dia o Juca sobre em uma parte mais elevada da ilha em que vive com os outros pinguins e decide que vai voar. Não lhe interessa mais o fato de que pode nadar por onde quer, e com grande agilidade, pois nadar ele nadou uma vida inteira.

Antes disso, passou dias observando as outras aves, essas que verdadeiramente voam. Estudou, calculou, uniu tudo o que sabia e achou que estava suficientemente preparado.

Juca subiu o pequeno monte de sedimentos. Escalou com dificuldade. Respirou fundo e saltou. É claro que não voou e deu de cara no chão. Ouviu de longe risadas copiosas, suas patas doeram e a cabeça ficou pesada. Desceu, nadou, dormiu.

No outro dia fez a mesma coisa. Caiu diferente. Machucou outra parte do corpo. Ouviu novas risadas. Elas agora eram mais numerosas. Desceu, nadou, pensou, recalculou, comeu e dormiu.

No outro dia foi ao mesmo local. Caiu com seu bico no chão. Tonteou. Cambaleou. Sabia que a próxima sequencia seriam as gargalhadas. Esperou por elas, caiu fora. Pensou, comeu e dormiu.

Um dia lhe perguntaram: Juca, por que diabos você sobe esse morro todos os dias e mexe essas asas ridiculamente tentando imitar um pássaro, se a gente nunca viu um pinguim nessa vida voar?

Eu faço isso porque eu nunca vi pinguim nenhum voar mas também nunca vi nenhum subir esse morro antes. Já estou ficando velho, comecei a me preocupar com o que andei fazendo durante a minha existência.

Desde que comecei a pensar sobre a possibilidade de voar, passei a olhar os pássaros que se aproximam da nossa terra e admirar como são belos, coisa que nunca tinha feito antes. Estudo seus movimentos e fico admirado com as coisas que fazem e que não é da nossa natureza fazer. Além disso, cada vez que eu pego esse rumo, longe de todo mundo, vejo as flores que ninguém vê, sinto os perfumes que lá em baixo não sinto. Cada vez que salto meu coração acelera, estou fazendo algo novo e o botão da esperança se acende em mim – quem sabe dessa vez vai dar certo?!

Não preciso ser o primeiro pinguim a voar, aliás isso é o de menos. Mas, ter pensado em criar algo novo me fez cruzar por caminhos diferentes, ver coisas novas, belas e perceber a vida nessa ilha de forma diferente, mesmo quando estou lá embaixo, fazendo o que todos fazem. E só por sentir isso, sei que minha existência valeu a pena. Afinal, o que faço não é sobre voar, mas é sobre ver. Sobreviver. Sob reviver. Sobre viver.


E você, já esteve visitando pinguins no Fim do Mundo? Conte para nós sobre sua experiência e ajude outros viajantes que estão em busca de dicas para montar seus próprios roteiros!


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