O Tempo, uma sombrinha vermelha e matemáticas complexas

- Atualizado em 24 de julho de 2016 - , , , , , , ,

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Demorei 15 anos para tomar a decisão de estar aqui hoje.

É engraçado como algumas coisas são tanto de nossa essência, que chegam a pintar ou, se esquecidas, descaracterizar quem somos.

Boa parte de nós tem afinidade com o costume de socar uma fração de si junto a roupas velhas. Colocamos as mãos nos bolsos e saímos a caminhar por qualquer rua esperando encontrar por soluções ao regresso de nossas casas dia após dia. 

Ninguém resolve sua própria matemática complexa na alma do outro. Ninguém encontra a moral da história só porque chegou a terras distantes. E, o pior, ninguém chega ao resultado de um bolo montado e com cobertura apenas porque o tempo de preparo escrito em uma receita passou no relógio.

Não quero ser injusta: pessoas, países e temperos inspiram, e é mais fácil chegar ao destino com gasolina do que carregar o próprio carro nas costas.

Só que tempo é vento. Não constrói nada se não houver movimento. O tempo pode até dar um alívio na ferida, como aquela assoprada da mãe no joelho recém ralado. Mas o tempo não preenche vazios nossos ou de outras pessoas. Não conserta o que tem que consertar. Não serve como fotossíntese das nossas almas.

Se tempo é vento, ele ainda pode ser de todo ruim, preenchendo com vazio as coisas que deveriam ser todas de utilidade ao mundo.

Depois de quinze anos entendi que teria que sujar as unhas, cavoucar um buraco na terra, plantar a muda da flor que queria ver crescer naquele vaso com teias de aranha. E, aí sim, ver o tempo passar. Eis que pressinto que o tempo está agora a meu favor.

Ontem estava por sair de casa. Olhei para fora. Parecia que iria chover : fiquei na dúvida por um momento. Aí pensei que tenho muitos vasos que por anos esperam por flores, e olhar o tique-taque na parede nunca as fez crescer.

Agarrei meu super poder favorito aqui na Itália: uma sombrinha vermelha que me faz crer ter o poder da blindagem contra sol, chuva, insetos e tarados. Ela é meu “objeto de transição” enquanto amadureço nesta nova fase. Sem ela me sinto desprotegida nesse mundo de UVA, UVB e possibilidades de chuvas que nunca ocorrem.

Com ela andei de ônibus por umas duas horas e percorri uns 20 quilômetros a pé em busca de um campo de girassóis aqui na Itália.

Ainda vou fazer um post explicando como os encontrei, não na Toscana, como eu pensava que deveria ser para ver os amarelinhos. As reflexões de hoje servem como uma palhinha.

Hoje é Domingo, estou no recreio, caro leitor. Outra hora faço o dever de casa.

 


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Time, a red umbrella and complex mathematical equations

 

It took me 15 years to make the decision to be here today.

It is funny how some things belong so much to our essence that they completely paint who we are, or if they get forgotten, they totally decharacterize our selves.

So many of us can easily feel familiar with the habit of boxing fractions of our selves together with old clothes that we don´t remind very often to use. We do this and then we put our hands in our pockets and go out for a walk down any street hoping to find answers in our way back home day after day.

Nobody solves their own complex maths equations in the soul of another person. No one discovered the whole moral of the story just because this person arrived to distant lands. And also, no one comes to the result of an awesome cake with amazing cover just because the preparation time written in some recipe passed on the clock that is hanging on the wall.

I do not want to be unfair: new people, other cultures and trying new spices inspire our souls, and of course it is easier to reach the final destination with gasoline instead of carrying our cars in our backs.

But time is just wind. Time does not build anything if there is not enough movement. Time may give us some relief to our wounds, like when the mother blows some air in our newly skinned knee after some fall. Nevertheless time does not simply fill in our emptiness or the others. It does not fix what you have to fix. It does not serve as some kind of photosynthesis for our souls.

If time is just wind, it can also be a bad thing at all, filling with empty stuff all of what it should be composed by useful things to the rest of the world.

After fifteen years I finally understood that there would be no other way to solve some of my questions without getting my nails dirty, digging a hole in the ground, planting the seeds of the flowers that I was wanting to see in the empty pots filled only with spider webs. Now I can clearly see that time is on my side.

Yesterday I was about to leave home. I had a look outside. It seemed that it was going to rain so I was in doubt for a moment. Then I remembered that I have many pots that for years have been waiting for some flowers, and looking at the tic-tac on the wall never made any plants to grow in them.

So I grabbed my favorite super power here in Italy: a red umbrella that makes me believe I have the power to shield myself against the sun, the rain, insects and also perverts. My red umbrella is my “transition object” as I slowly maturate in this new phase. Without it I feel unprotected in this world of Ultraviolect A and B and the possibilities of rain that never get to occur.

Holding it I walked from the bus station for two hours, and after 20 kilometers I arrived at a sunflower field here in Italy. I still need to write a post explaining where you can find such fields, not in the predictable Tuscany, but in the Lazio Region.

The thing is today is Sunday, and I really felt like playing with the words a bit, dear reader. Next time I do my homework and I write explaining how you can find these lovely yellow flowers fields in the Lazio region.


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