O porre de minha mãe, o milagre de Fátima e o melhor país do mundo

- Atualizado em 8 de maio de 2016 - , , , , , , , ,

a-o-melhor-pais-do-mundo-mae-escolho-viajarO primeiro amor que a gente conhece é o de mãe.

E, como primeiros amores são inesquecíveis, são lembrados por uma vida inteira, mesmo quando não estão mais por perto.

Eu nunca dei trabalho para minha mãe no sentido de estudos ou dos namoros. Ela nunca chegou a perder o sono por nenhuma dessas coisas. Mas, com certeza, ela tinha que se virar com uma filha que tinha fixação por coisas estranhas e por querer sempre estar longe.

Lá pelos anos 90, a dona Carme teve de lidar com uma pentelha que inventou aos sete anos de idade que queria saber falar inglês para entender o que diziam as músicas do disco* que tinha um nenê pelado na capa. O disco estava lá por casa e pertencia a um tio mais velho, que era, na verdade, um pai e também um irmão. Ele tinha aquele cabelo comprido e quando íamos ao supermercado ele ia sempre à procura das novidades (na verdade, eram todas atrasadas) no campo dos “bolachões”. Os vinis favoritos dele eram aqueles de capas estranhas, que continham animais ferozes, caveiras ou homens com o cabelo comprido, igual ao  seu.

Mas a capa do menino pelado era a que eu mais gostava e, é claro, que eu fiquei curiosa para saber que tipo de músicas o disco continha.

Uma**, em especial, chamava-me a atenção. Parecia-me que alguém gritava com sofrimento por auxílio referente ao problema que a falta de papel higiênico ocasiona quando estamos, digamos, ocupados. Aquilo, intrigava-me mais ainda! “Será que era o suplício de alguém que diz: mãe, acabou o papel!?”, pensava eu.

Por causa das músicas que ouvia dos discos de capas estranhas de meu tio, eu havia decidido que precisava aprender a falar inglês.

Naquela época, era vigente um conceito diferente sobre as questões relacionadas ao aprendizado das línguas. Traduzindo: ainda estávamos atrasados. Por causa disso,  dona Carme, que era professora de português, filha de humildes colonos do interior do Rio Grande do Sul e sequer havia pisado fora da metade centro-sul do Brasil , via com certa preocupação meu interesse na língua estrangeira.

“Quem sabe esperamos para quando você entrar na segunda série!? Aí você vai estar com a alfabetização bem consolidada, vai já ter lido vários livrinhos e aí não correrá o risco de se atrapalhar com as duas línguas!”

Na segunda série, lá fui frequentar as aulas de inglês. Na época eu era a mais nova da sala e me sentia o máximo por estar começando a falar inglês junto com pessoas de 12, 15 anos. Mas, ali surgiram mais algumas ideias que deram um certo trabalho à dona Carme.

Eu inventei que queria começar a me corresponder em inglês com pessoas de outros países.

Como uma mãe se vira para colocar a filha em contato com uma “cria” do outro lado do mundo quando não existe facebook ou sequer se tem acesso à internet?

Então a dona Carme descobriu uma espécie de “penfriend“.

Funcionava assim: pagava-se um valor para certa empresa e aí eles cruzavam alguns dados e trocavam os contatos das crianças. Tipo um amigo secreto que você tem de presentear escrevendo uma carta sobre você para alguém que não conhece e aí você recebe de volta outra que pode ser, na verdade, o presente de um grego, ou de um coreano.

Demorou, mas meu contato chegou.  Era um tal de Matt, dos Estados Unidos. Contei para num inglês meio primata sobre a minha vida de criança de oito, nove anos e todas as incríveis situações que uma criança dessa idade enfrenta. Tipo… “Ontem fui ao colégio e comemorei meu aniversário por lá”. “Hoje fiz aulas de dança. Estamos ensaiando uma apresentação que se chamará “outono” e eu vou usar uma saia com folhas”.

Depois chegou a carta da menina que havia recebido o meu endereço. Ela era da Finlândia e se chamava L. Köyhäjoki. Corri para o livro de geografia para encontrar a Finlândia no mapa.  Por alguns meses a senhorita Köyhäjoki me enviou as fotos mais incríveis de neve que eu já havia visto.

Depois veio o contato para que eu escrevesse para uma francesa. Mas ela nunca me respondeu.


carta-post-mae-escolho-viajar Cartinhas de outras crianças igualmente pentelhas que também queriam falar inglês com outras crianças do mundo – minha única coleção da infância que mantenho até hoje

Por vezes, naquela época, as cartas se perdiam, voltavam ou demoravam uns três meses para chegar ao desejado destino.

Mas o fato é que essa história de “Penfriend” me deu algumas outras ideias. E lá foi a dona Carme se virar mais uma vez.

Quando eu tinha 14 anos, decidi que queria fazer um ano de intercâmbio. Queria ir a um lugar longe e diferente. Pensei na “amiguinha” da Finlândia, mas aí lembrei  que seria frio de mais e naquela época eu ainda não gostava de frio.

Optei por morar um ano na  Austrália e poder ver de perto mamíferos carnívoros de hábitos aquáticos que põem ovos, cujos machos da espécie são também capazes de ser “venenosos”.***

A dona Carme achou que morar em outro país poderia ser uma boa maneira de ter um diferencial em meus estudos e se esforçou para torná-la possível.

E aos meus 16 anos, contra todos os palpites de familiares que achavam que eu iria começar a usar drogas ou engravidar, lá fui eu morar na capital mais isolada do mundo, Perth. Nunca me esqueço de uma frase dela, regada a um sorrisinho simpático em um semblante calmo como resposta a esses desfechos terríveis temidos por meus familiares: “Eu sei a filha que tenho!”.

Depois da maioridade e da carteira assinada, a dona Carme passava apreensiva aguardando meus sinais de fumaça vindos de países de nomes estranhos ou após dias de isolamento e caminhadas em montanhas que duravam três ou cinco dias.

Mendoza-plaza-francia-trekking Cenário perfeito para inquietação no coração das mães aflitas: montanhas, isolamento, um grupo de aventura composto apenas por homens e eu, ausência de sinal de celular e noite no relento (Trekking de três dias no Parque do Aconcágua)

Mas, apesar de minha mãe sempre apoiar essas ideias, eu nunca entendia uma coisa.

Enquanto minha alma sempre quis ir para longe, a dona Carme gostava mesmo era de ficar em casa. Seu país favorito no mundo se chamava “Letras” e sua língua preferida se chamava “Análise do Discurso”.  Ela adorava acordar cedo, ter uma rotina, e fazer sua própria comida.

Quando ela ficou doente, aos 49 anos, me ocorreu que ela nunca tinha viajado para fora do Brasil e isso me doeu no peito, já que ela tinha me proporcionado tantas oportunidades de vivenciar isso.

Na verdade, naquele ano do diagnóstico ela tinha comprado uma passagem para ir a Portugal e iria à Europa pela primeira vez. A viagem teve de ser cancelada e ela virou uma passageira frequente foi da poltrona do setor de quimioterapia.

“Sim, a poltrona próxima à janela está livre. Podemos começar?”

O câncer nunca mais foi embora e viajar a Portugal, ou mesmo, a outros lugares mais distantes  parecia difícil. Na verdade essa “preocupação” era muito mais um anseio meu do que dela. Por ela bastava poder permanecer no país “Letras” enquanto estivesse doente que seguiria tudo em paz.

A felicidade dela estava justamente nas coisas que tinha perto de si. Sua casa, suas relações, seus  projetos, seu trabalho, as orientações dos trabalhos de seus alunos e os artigos e livros com que constantemente estava envolvida. Enquanto eu muitas vezes precisava buscar os lugares mais distantes para me sentir feliz ou encontrar paz , ela sempre precisou estar simplesmente no lugar em que se encontrava. Talvez por isso ela nunca tenha reclamado de nada ou nunca tenha questionado a doença ou o sofrimento que o câncer nos trouxe.

Mas eu só consegui entender o “país” dela um certo tempo depois. A minha vida inteira, prévia aos dilemas gerados pelo câncer, eu nunca havia o compreendido.

“Por que hoje a mãe não quer ir ao clube brincar com nós? O que tem de tão bom naqueles livros?”

Mas lá em 2014, um ano antes de ela falecer, as coisas pareciam estáveis e, finalmente, ela disse sim: “– tá bom, vamos viajar!” Eu corri para o computador pesquisar onde poderíamos ir. Minha cabeça pensava freneticamente em infinitas variáveis. “A quimio é dia X, temos de voltar dia Y”. “Se ela faz quimio no dia Z os maiores dias de risco da imunossupressão serão por volta do dia W”. “Se formos a tal lugar, o voo tal durará X horas e isso a deixará muito cansada”. “Se partimos em tal voo, nós conseguiremos encurtar uma conexão”. “Em tal lugar será frio e isso pode prejudicar a sua saúde frágil”.

“Mãe, tem voo direto de Porto Alegre para Portugal! Vai ser quente e voltamos um dia antes da próxima quimio! Vamos?!”

E assim a dona Carme foi a Portugal. Berço da língua de seu “país” favorito.

Parecia que tudo havia realmente sido perfeitamente planejado. Mas, aí, quando chegamos a Lisboa, entrei em pânico.

Era um clima agradável, eu tinha me lembrado das meias elásticas para ela, o hotel era de perfeita localização e ela estava se sentido formidavelmente bem. Mas surgiu um problema com o qual eu não contava!

Quando saímos do hotel e fomos procurar pelo castelo de São Jorge, percebi que Lisboa era cheia de ruazinhas com metros e metros de declive. As subidas na cidade eram muitas e eu quase chorei quando vi a primeira ruela portuguesa que mais se parecia com uma montanha. Prendi meus passos, minha respiração, e olhei para ela. Ela me olhou e disse: “Tá cansada?” E começou a subir sem olhar para trás.

Ela subia firmemente, louca para chegar ao tal castelo. Caminhei mais atrás, com meu coração quase saltando pela boca por tamanha subida e de tanta preocupação. Naquele momento entendi um pouco do que era ser a mãe de uma menina curiosa com paixão por montanhas, lugares no meio do nada, e que tinha sido perseguida por crises de asma na infância. Naquele momento, a dez metros atrás da dona Carme, somente observando-a, eu me aproximei cem mil quilômetros dela.

Nos dias seguintes consegui caminhar tranquilamente ao lado dela em busca da casa de Fernando Pessoa e das outras atrações que ela queria conhecer. Já tinha entendido que ela daria conta.


casa-fernando-pessoa Casa do Fernandinho em Lisboa. Atividade imperdível para quem curte o fingidor.

Os prenúncios de um porre

Ela andava radiante! Estava simplesmente “enlouquecida” com Lisboa. Ela não queria dormir, queria comer bacalhau todos os dias, usar o metrô o tempo todo (ela havia usado um pela primeira vez nessa viagem!) e ir ao mercado procurar por itens diferentes que existiam por lá. Não tínhamos horário preestabelecido para comermos e estava autorizado que nosso almoço poderia ser de coisas que não se comem de garfo e faca.

O Dr. Álvaro tinha dito antes de partirmos para Portugal: “Vai dar para programar. Vão, sim, e me façam um favor. Você estará no intervalo da quimio, está tudo bem com você e você estará liberada, Carme, para tomar um vinhozinho por mim.” Ela apenas riu, enquanto eu dizia:  “Pode deixar doutor. Já que ela vai ganhar umas férias daqui, ela vai tomar!”

É claro que a dona Carme faria qualquer coisa que o Dr. Álvaro pedisse ou permitisse,  mesmo que isso incluísse um pouquinho de vinho, coisa que, apesar de ela amar, não fazia há cinco anos por conta dos tratamentos.

Chegamos ao hotel com cerejas gigantes das ruas de Lisboa, vinho branco e queijo. Arrumei tudo na mesa que havia no quarto e a reposicionei próximo à janela. Fiz isso porque sabia que era um dia importante. Em meio às várias aventuras do dia, ela iria sentir novamente o gosto de um vinho. Ela também nunca tinha provado queijo Brie, e cerejas eram uma coisa muito cara no Brasil (e ela era um tanto avessa a coisas caras, caso não fossem imprescindíveis. Especialmente quando essas eram para ela mesma).

Vinho, coisas que no Brasil seriam caras, um queijo que ela nunca tinha comido. Não existia mais do que dez euros em cima da mesa, mas aquilo era um misto completo de cor, sabor e luxo!

lisboa-cerejas-queijo-vinho

Ela bebeu uma taça, e pediu pela segunda. Depois me deixou na mesa na companhia do resto da garrafa e foi dormir.

Eu saí na rua enquanto ela dormia. Quando voltei, não consegui por porrada nenhuma na porta entrar no quarto do hotel. Então, estremeci  e elucubrei uma conclusão ilógica: “Ela está tão frágil com a doença, agora que bebeu um pouquinho de vinho vai morrer!” Pensei. Desci correndo na portaria e implorei por uma segunda chave. Corri pelas escadas rumo ao quarto, desesperada, para ver se ela estava bem. Quando abri a porta, vi-a deitada na cama. “Mãe, mãe! Tá me ouvindo?! Mãe!!!”

“Oi, filha! Tá tudo bem! Só estou um pouco de “porre’”, e sorriu com cara de criança travessa feliz. Ri aliviada. Pela segunda vez naquela viagem eu compreendia a jornada materna da dona Carme. Acredito que senti exatamente o que as mães sentem quando, igualmente, por puro zelo, elucubram conclusões ilógicas enquanto aguardam os filhos chegarem em casa de alguma aventura noturna.

O milagre de Fátima

No outro dia fomos à cidade de Fátima. Ela queria muito ir até lá. Como era pertinho de Lisboa e super prático, fomos cedinho da manhã. Assistimos a uma missa e depois fomos perambular pela cidade.

santurario-fatima-lisboa-escolho-viajar Cidade de Fátima

Era um clima diferente. Havia pessoas que caminhavam arrastando os joelhos pelo chão, outras que carregavam velas enormes ou pés, intestinos e pâncreas de cera nas mãos pedindo por bênçãos. Eu propus acendermos uma vela e ela acenou que sim com a cabeça. Mesmo que a vela fosse para a sua oração na tão esperada Fátima, ela escolheu a mais simples de todas e que tinha o simples formato de uma vela normal.

velas-cera-fatima Materiais em cera para venda em banquinhas ao redor do santuário de Fátima

Rezamos com nossas velas por uns cinco minutos e fomos embora. Eu perguntei se ela havia pedido para ela se curar, pois isso não foi exatamente o que eu havia pedido, apesar de certamente ter feito uma prece que a incluía e a questão da doença. Ela me respondeu que não e disse que “não pediria por isso”.

Nossa semana de aventura, cerejas, bacalhau e gastos da sola de sapato, passou rápida, e logo voltamos para o Brasil.

“ Se soubesse que era assim, eu teria ido antes” – disse-me ela.

Pensei profundamente sobre essa frase. Acredito que a mais de 8.801 Km da cidade onde morávamos ela se sentiu a apenas centímetros de mim. Eu havia conseguido mostrar a ela o meu “país” favorito, que, inclusive, havia exatamente sido criado pelas oportunidades proporcionadas por ela.

Nas semanas seguintes, ela fez uma nova quimio e foi submetida a novos exames. Estranhamente, a tomografia demonstrava o desaparecimento de nódulos no pulmão que estavam sempre ali, desde 2009, mesmo com as porradas das inúmeras quimios que faziam o milagre de mantê-la viva nos últimos cinco anos. Cheguei a duvidar que o exame fosse dela, mas a conferência dos fatos mostrou que não havia chance de troca.

Foi estranho. Meu coração cadenciava a lógica da filha médica enquanto minha cabeça processava a emoção de uma filha que desejava poder enganar a morte.

No fundo eu sabia que aquilo era apenas uma parte do todo no contexto da doença, e que o que se passava não mudaria o rumo dos dias ainda mais difíceis que estariam por vir. Apenas pensei que, talvez, poderia ser um pouco mais fácil, na interpretação dela, seguir em frente na jornada de quimios e prognóstico reservado do tal “câncer metastático de tratamento paliativo”.

No dia 14 de julho de 2015, exatamente um ano depois do dia que estivemos em Fátima, ela faleceu.

Às vezes me pergunto se o que ela pediu naquele dia em Fátima foi para ter vivido mais um ano e se a santa teria interpretado isso literalmente.

Bom, e hoje é dia das mães. Na verdade, o meu primeiro sem ela. Estou aqui em sua casa, sentada na cama dela, escrevendo para o Escolho Viajar, que surgiu justamente no hospital, enquanto a gente se preparava de modo mais contundente para ela nos deixar.

E lá no quarto 286, eu ouvia sua resposta para o meu questionamento sobre se eu realmente deveria começar a fazer exatamente o que estou fazendo agora: “ Você tem que escrever sobre suas viagens, sim. Comece, aos poucos”.

Pois, foi desde que comecei a escrever que comecei a entender algumas coisas.

Acredito que, quando viajamos a Portugal, ela entendeu meu mundo e me perdoou em silêncio por todas as vezes que me esqueci de dar notícias, porque me distraí nas ruas de alguma cidade desconhecida.

Quando eu passei a escrever sobre as viagens, foi eu quem entendeu o dela e a perdoei em silêncio, por todas as vezes que ela deixou de dar notícias, porque estava distraída saboreando o seu “país” favorito.

E, enquanto estou aqui pensando em todas essas coisas, se nesse exato momento você me dissesse que eu poderia escolher ir parar em qualquer lugar incrível do mundo, eu lhe responderia:

“OK. #escolhoviajar para o colo da minha mãe.”


* É claro que o disco do menino pelado é o famoso Nevermind da banda Nirvana, lançado em 1991.

**A música a qual me referi é “Territorial Pissings”, e a cena do cara pedindo papel higiênico no banheiro foi criada na minha cabeça ao escutar as primeiras palavras da música proferidas pelo tio Kurt (“Come on people now, smile on your brother and everybody get together, try to love one another right now”).

*** O estranho mamífero carnívoro de hábitos aquáticos que põe ovos, cujos machos da espécie são adicionalmente capazes de ser “venenosos”, é o ornitorrinco – bichinho extremamente charmoso por sua excentricidade.


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