O passeio mais aventureiro de Bonito: Abismo Anhumas

- Atualizado em 18 de maio de 2015 - , , , ,

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Considerado um dos maiores polos de ecoturismo da América do Sul, Bonito (MS) não deixa a desejar em nenhuma das suas inúmeras atrações repletas de belezas naturais. Mas, o título de mais exclusiva fica, com certeza, a cargo do Abismo Anhumas: uma combinação de caverna, águas cristalinas, cones calcários gigantes e espeleotemas esculturais que configuram um cenário inexplicavelmente mágico.

Algum desinformado que chega à Fazenda Anhumas e caminha sobre suas terras mal pode imaginar o que há embaixo delas. Nem mesmo os donos e funcionários da propriedade tinham percebido qualquer possibilidade do tesouro que ali se escondia antes da década de 70. Durante um incêndio na fazenda, um trabalhador prendeu sua atenção em um buraco profundo no solo que parecia conter água ao fundo.

Mas, foi apenas em 1984 que os primeiros desbravadores desceram pela tal fenda na terra como parte de uma expedição espeleológica. Já o turismo mesmo começou ali de fato pelo ano 2000. Após saber de tudo isso, fiquei ainda mais impressionada com o abismo, já que o considerei uma recém descoberta humana e, de certa forma, um paraíso ainda pouco explorado.

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Mas, visitar o Anhumas requer alguns esforços, sendo que o primeiro deles é o financeiro. Viver este privilégio custa ao turista o passeio mais dispendioso de Bonito (633,00). Entretanto, é preciso dizer que o valor é justificado pelo número de guias, de horas e equipamentos que o passeio demanda. Além disso, é preciso muito empenho físico já que não tem nenhuma escadinha por lá que leva turistas ao centro da terra. Para chegar ao paraíso, só de rapel mesmo e aí na hora de descer é moleza, mas fazer rapel para ascensão, e ainda por 72 metros (equivalente a um prédio de 30 andares), sinceramente não é para qualquer um.

Preparação

Eu fiz a reserva do passeio uns 3 dias antes, com o pessoal da Pousada São Jorge, mas alerto que fazer assim de última hora pode resultar em você ficar sem vaga.

No dia anterior à descida você tem que ir até a empresa que organiza o passeio, que fica no centro de Bonito para fazer um treinamento, testar equipamentos, trocar uma ideia com os guias, responder a algumas perguntas e assinar papéis. Para isso tem horário marcado (18:00). No paredão da empresa você faz descida e ascensão, que são os movimentos que vai utilizar lá caverna.

Aí, você sai da empresa e a umas 4 quadras dali vai provar a roupa que vai usar no outro dia para flutuar nas águas geladas. Essa parte pra mim foi a pior. Você vai lá, naquele calor desgraçado e prova a roupa de neoprene de 5mm (mais espessa que o usual devido à temperatura da água), que fica coladérrima. Mas, fique tranquilo que essa roupa você só veste lá em baixo da caverna onde já é fresquinho, por cima da roupa de banho antes de nadar nas águas de 17oC.

Chegando à fazenda

O transporte até lá não está incluso. Você tem que arrumar uma carona, alugar um carro ou percorrer de táxi os 22 Km (maior parte em estrada de chão) que conduzem ao local. No meu caso, no dia do treinamento havia conhecido três argentinos que iriam fazer o passeio no mesmo horário. Eles estavam com um carro alugado e eu pedi se não tinha uma carona, o que fora prontamente atendido pelos hermanos.

DSCN0002 Fazenda Anhumas – Bonito (MS)

A descida

Equipamento preparado, você e seu companheiro (as descidas e subidas são realizadas aos pares) se dirigem à entrada do buraco e se posicionam para começar a descer os nada mais nada menos que 72 metros de altura.

A descida é fácil, você vai modulando a velocidade na corda com a mão posicionada em baixo do corpo. Nessa hora, você tem que regular o ritmo com o parceiro de descida, já que uma corda une os dois. Eu desci com a argentina Patrícia, que com frequência me dizia “despacito, Karen!”. Nos primeiros 10 metros você fica meio apertado, pois a fenda é estreita mesmo, mas, é só manter a calma que logo se abre o clarão da caverna, com dimensões de um campo de futebol, possibilitando a visão das águas cristalinas. Vale lembrar que estamos falando da maior caverna submersa do mundo! Bom, essa descidinha aí leva no máximo uns 10 minutos.

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Lá em baixo

Lá em baixo existe uma plataforma. Ali você retira todos os equipamentos, pode fazer um lanche e até ir ao banheiro, uma espécie de “patente” estruturada que possibilita um momento de privacidade. Nada muito requintado, mas, completamente condizente com o local e com a intenção de intervir o mínimo possível naquele ambiente.

Na segunda parte do passeio, navegamos de bote pelas águas cristalinas, acompanhados de um guia que faz mega explicações sobre tudo que vemos ali. São muitos os imensos cones calcários, que parecem verdadeiras esculturas.

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Depois, já com as roupas de neoprene é hora de mergulhar nas águas da caverna. Quem quiser pode usar cilindro, mas é claro que para isso é necessário comprovar certificação. Mesmo sem cilindro, foi lindo flutuar nas águas do Anhumas, usando uma lanterna. A água era cristalina e os estalactites e estalagmites imensos. No meu horário já não havia tanta luminosidade, então, minha tentativa de fazer umas fotos e um vídeo aquático foi totalmente frustrada, como vocês podem ver abaixo.

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Depois de flutuar na água gelaaaada, você volta para o deck, faz um lanchinho e curte a vista. Vale levar um bom sanduba, muito líquido e afins.

Eu fiquei ali no deck embasbacada com aquilo tudo. A água, a altura do teto, os cones, a luz que entrava pela fresta e que mudava de posição a cada minuto iluminando de diferentes formas o local me deixaram de boca aberta. Aquilo tudo mexeu de mais comigo, e eu fiquei ali em um momento de êxtase e introspecção.

Como minha dupla era a última a subir, vimos a luz da caverna se esgotando deixando-nos na penumbra. Isso porque a única fonte de luz do local é a da luminosidade externa que adentra pela estreita fenda no chão, e, como nenhuma dupla inicia a subida antes da anterior terminar, o grupo que descer por último vai pegar menos luz na caverna.


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Hora de Subir

A hora de subir não é moleza. Cada um tem um ritmo. Você vê pessoas que sobem rapidinho, levando 15 minutos, quanto que outras levam uns 40. O fato é que você deve ir no seu ritmo e no do seu parceiro, já que a subida também é em dupla. A dica para subir é concentrar forças no movimento das pernas, já que são elas que te impulsionam para cima (os braços apenas te prendem na corda).

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Na subida eu tive um momento um pouco tenso. A parte do exercício até que foi tranquila, a da altura também. Mas eu tive um problema com os morcegos. Ali, é claro, tem muitos e este é um problema antigo meu, remanescente de um traumático ataque noturno de morcegos que sofri há alguns anos. Eles ficaram na deles, mas o fato de ver eles e escutar os barulhinhos que faziam na caverna me incomodou um pouco e eu queria era subir de uma vez. Nessa hora, agradeço ter tido a Patrícia como dupla, pois ela me acalmou e seguimos tranquilamente.

Morcegos a parte, posso dizer que o rapel no Abismo Anhumas feito em Dezembro de 2013, durante minha passagem de uma semana por Bonito foi o passeio mais maravilhoso que fiz por lá. Foi o mais diferente, o de maior emoção e mais marcante, devido à sensação que aquela paisagem majestosa me causou. Fico feliz que o dia em que partir dessa para melhor vou ter essa aventura registrada na minha conta.

Preço

O rapel com flutuação nas águas do Anhumas custa 633,00. Já o rapel combinado com o mergulho de cilindro (requer certificação) custa 891,00. Vale lembrar que como todos os outros passeios de Bonito, os preços são tabelados. Confira os preços atualizados de todos os passeios aqui.

Duração

Dura de 4-5 horas. Portanto, leve lanche (sanduíche, água e tudo mais que for comer já que por lá não tem nenhuma venda).

Quem pode fazer o passeio

– Quem não possui condições de saúde que impossibilitem o passeio (problemas cardíacos, diabetes, síndrome do pânico, medo intenso de altura e lugares fechados). Para maiores informações consulte a agência que faz os passeios.

– Aproveita melhor o passeio quem já fez rapel alguma vez e quem apresenta melhor preparo físico.


Vai fazer esta viagem sozinha (o) como eu fiz? Então, aproveite!

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Dicas

– Use meias compridas para evitar o atrito das cordas nas pernas.

– Leve repelente (biodegradável, pessoal!) e roupas quentes para usar lá em baixo após nadar.

– A força para subir no rapel é nas pernas e não nos braços!

– Se puder vá no horário das 9 horas porque isso possibilita uma melhor entrada da luz pela fenda (paisagem mais bonita, melhores fotos).


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