MINHA VIDA EM DUBLIN

- Atualizado em 23 de março de 2016 - , , , ,

Phoenix ParkO Escolho Viajar desta semana é com a Renata, brasileira que morou em Dublin por um ano. A Renata Frota tem 27 anos e é natural  e ex-moradora da capital gaúcha, Porto Alegre. Ela decidiu mudar-se para Dublin em 2014, onde morou por um ano.  Diretamente de Coimbra onde mora hoje, ela nos conta um pouco sobre como foi parar em Dublin e como essa experiência mudou os rumos de sua vida.

Escolho Viajar – Como foi o início dessa história de deixar o Brasil para ir morar na Europa?

Sempre fui fascinada pela Europa, desde pequena. Após concluir a graduação em Direito, tive a ideia de fazer um Mestrado na Universidade de Coimbra, em Portugal, uma vez que isso me possibilitaria ter a experiência de morar um tempo no exterior e ainda agregaria um título que faria a diferença em minha carreira. Fiquei um ano juntando dinheiro para viver esse sonho que se realizou no ano de 2014.

No entanto, como as aulas do Mestrado somente iniciariam em outubro de 2014, resolvi antecipar a viagem e iniciar o intercambio em Dublin, para melhorar meu inglês e fazer uma imersão na cultura. Chegando em Dublin, consegui emprego rápido. Me adaptei tão facilmente à cidade e acabei me apaixonando por ela tão rapidamente, que decidi estender o intercambio no país da Guiness e postergar o mestrado. Atualmente, moro em Coimbra.

 

Escolho Viajar – Quais foram suas primeiras impressões sobre Dublin?

Eu cheguei em Dubin em março de 2014, no final do inverno ou inicio da primavera. O tempo era sempre chuvoso e a paisagem muito cinza. Nos primeiros dois dias me perguntei se tinha feito a escolha certa do lugar para estudar Inglês, pois achei a cidade meio decepcionante (o centro, para ser mais especifica – algumas partes bem sujas e pichadas, algo que eu achei que não encontraria por aqui).

Entretanto, com o tempo comecei a me apaixonar pela cidade, pelo povo e pelos costumes. Com o tempo percebi que os irlandeses, de forma geral, são muito acolhedores e simpáticos.

Me chamou a atenção em Dublin o sistema de trem da cidade (chamado LUAS), onde não há catraca ou sistema de controle para fazer seu uso. Porém, de vez em quando alguns fiscais entram no transporte e, se algum passageiro não apresentar o tíquete, uma multa de 50 euros é aplicada.

Outra coisa que me chamou a atenção foi a espontaneidade do povo irlandês. É muito comum alguém conversar contigo em um pub ou café (ou qualquer lugar, rsrs) sem nenhuma segunda intenção, só pelo prazer da conversa. E com a mesma naturalidade com que se inicia a conversa, ela termina.

 

Escolho Viajar- Como era sua rotina por lá?

Eu trabalhava em um hotel e fazia um curso breve de Direito da União Europeia. Para me divertir, costumava ir a pubs (desafio quem vier a Dublin a andar uma quadra sem se deparar com um pub! Rsrsrs), parques (o Phoenix Park é meu favorito), cinema e andar pela cidade. Gostava muito de perambular sem destino certo e ir descobrindo, a cada passeio, uma Dublin nova.

 

Escolho Viajar- Como era para uma brasileira viver em Dublin?

Há muitos brasileiros vivendo em Dublin, especialmente no centro da cidade. Acredito que a escolha dos brasileiros para estudar inglês em Dublin seja a possibilidade de trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Com visto de estudante, é possível trabalhar 20 horas semanais no período de aula e 40 horas semanais nas férias (mas agora as regras mudaram e, se não me engano, só é possível trabalhar 40 horas nos meses de junho, julho e agosto). Desde que havia chegado, trabalhava 40 horas semanais (ou até mais), mas isso ocorreu porque tenho cidadania portuguesa, o que facilita demais as coisas por aqui na Europa.

 

Escolho Viajar- Quais foram/são suas principais dificuldades em Dublin?

Acho que o idioma é uma dificuldade. Eu vim para Dublin com uma boa base de inglês, mas ainda assim, no dia a dia a coisa complica um pouco. No início, entender o sotaque irlandês não foi tarefa fácil e alguns mal-entendidos aconteceram (quando, por exemplo, trabalhei num pub e me pediram Cider – cidra – e eu servi uma Tiger – cerveja, rsrsrs).

Killiney (3)Subúrbio de Killiney em Dublin

 

Escolho Viajar- Como é a alimentação típica do povo de Dublin?

A comida irlandesa é a base de batata, bacon e cenoura. O irish stew é uma comida típica e é uma espécie de sopa com carne, batatas e cenoura. Já o café da manhã irlandês é composto por salsicha, ovos, cogumelos, bacon, batata, torrada, hashbrown (uma espécie de bolinho de batata) e black e white puddin (que se equipara a nossa morcela, sendo que o puddin escuro é feito com sangue de porco).

 

 Escolho Viajar – Você se sentia segura?

Sim, muito! Apesar de já ter ouvido algumas pessoas relatarem pequenos furtos e roubos em grupos do facebook, eu nunca passei nem perto de uma situação de perigo. Voltava para casa a pé e de noite e nunca me senti insegura ou com medo.

 

Escolho Viajar- Como você se locomovia e quanto gastava em média por mês?

Andava muito a pé, pois os lugares que frequentava eram, basicamente, todos no centro e perto da minha casa. Além do mais, me sinta muito segura por lá, por isso não tinha receio de andar a pé a hora que fosse. Eu gastava em média uns 600 euros por mês, pois dividia o quarto com outra pessoa.

 

Escolho Viajar- Se pudesse recomendar cinco lugares e programas legais para serem feitos por um turista na cidade de Dublin, quais você recomendaria?

Eu recomendaria o Phoenix Park – o maior parque cercado da Europa, as Docas – onde o rio Liffey desemboca, sendo rodeado por uma casa de espetáculos e várias cafeterias e restaurantes legais, a Grafton Street – famosa rua de Dublin a onde famosos artistas, como Bono, costumam tocar gratuitamente e ao ar livre no período de Natal. Além disso, é possível apreciar vários artistas independentes mostrando seu talento na rua Grafton Street a qualquer hora do dia (vale a pena conferir!). Recomendo também o restaurante Elephant and Castle e o Temple Bar, no bairro boêmio de Dublin. Não dá para sair da cidade sem conhecer esse bairro e tomar uma pint de Guiness no pub de mesmo nome.

temple-bar

 

Escolho Viajar- Você comentou sobre alguns pubs e é claro que não dá para falar de Dublin sem pensar nos seus pubs. Que dica de pubs você dá para algum amigo seu que vai à Dublin?

Eu recomendaria o Bernard Shaw, que fica há uns 15min do centro. É um pub alternativo onde é possível aproveitar boas cervejas e pizza do tipo italiana servidos dentro de um ônibus estilizado que serve de restaurante, na área externa do pub. Também recomendo o pub Johnny Fox, que fica nas montanhas de Dublin e possui decoração e comidas bem tradicionais. E, se o interesse é se ouvir a tradicional música irlandesa, o Cobblestone, um bar tipicamente irlandês localizado no bairro Smithfield é o ideal! Já os pubs do Temple Bar são mais para turista mesmo.

Escolho Viajar- Quais foram as principais mudanças que ocorreram na sua vida, nas suas crenças por conta de ter saído do Brasil? Qual o impacto dessa jornada em sua vida pessoal e profissional?

Essa viagem teve uma grande importância para mim, pois sempre morei com meus pais e, pela primeira vez, fui morar sozinha. Pago as minhas contas e não dependo de ninguém, o que dá uma independência muito grande. Além disso, conhecer novas culturas (e se adaptar a elas) abriu meus horizontes e me fez respeitar muito mais o diferente. Profissionalmente, eu diria que aumentou minha confiança, pois tenho trabalhado em coisas que jamais imaginava (e que jamais trabalhei) e isso faz com que eu pense: “eu simplesmente posso fazer de um tudo!” Rsrsrs.

 

Escolho Viajar- Quais os planos para o futuro?

Esse é a pergunta que também me faço todos os dias (rsrsrs). Inicialmente, meu plano era ficar na Irlanda por apenas seis meses e depois ir para Coimbra fazer o mestrado. Mas, como eu gostei tanto de Dublin, decidi estender minha viagem. Em outubro vim para Portugal fazer o mestrado e a ideia é voltar para Dublin quando as aulas acabarem para escrever em Dublin a dissertação. Isso tudo em maio de 2016. E depois disso… Bom, depois disso, vamos ver para onde a vida me leva.

 

Escolho Viajar- Se pudesse dar algum conselho a pessoas que querem ter uma experiência semelhante à sua, que conselho daria?

Eu diria apenas: se abra. Se abra para as novas oportunidades, para as novas experiências, para novas vivências … Se abra de corpo e alma e se esforce ao máximo para entrar nessa nova cultura. Procure entender sua história e seus costumes e procure vivê-los. É importante que a gente mantenha contato com a nossa cultura quando estamos longe de casa, mas não fique restrito a isso. Muita gente vem para a Irlanda e convive apenas com brasileiros, vai a restaurantes e festas brasileiros e deixa de lado a vivência da cultura irlandesa.

Salvar

Salvar