Diretamente da Hungria – uma gaúcha em Budapeste

- Atualizado em 18 de maio de 2015 - , , ,

Parlamento_húngaro[1]

Na sessão Morando Fora desta semana, o Escolho Viajar entrevistou a Marina, gaúcha de Passo Fundo (RS) que escolheu morar um tempo na Hungria para cursar parte da faculdade de Ciências da Computação na cidade de Budapeste.

Escolho Viajar – Marina, o que anda fazendo aí pela Hungria?

Marina – Eu sou estudante da área de informática. Comecei aos 17 anos cursando Tecnologia em Sistemas para Internet e Ciência da Computação. Terminei o primeiro curso no primeiro semestre de 2014 e hoje, aos 21, estou dando continuidade à Faculdade de Ciências da Computação em uma universidade da cidade de Budapeste, onde já moro há dez meses e continuarei por mais cinco.

Escolho Viajar – Por que você escolheu viajar justamente para a Hungria?

Marina – Costumo dizer que eu não escolhi a Hungria, mas que a Hungria que me escolheu. Sempre tive interesse em participar do programa governamental Ciência sem Fronteiras, e o acompanhei desde o início. O meu problema era que o programa exigia dos candidatos a realização de um teste de proficiência na língua que o país de destino exigisse, na maioria dos casos o TOEFL, porém eu não havia realizado o teste e ainda não me sentia preparada para ele.

Foi então, que o edital para Hungria apareceu com um ponto muito interessante: uma modalidade do TOEFL seria oferecida pelo governo para aqueles alunos que se inscrevessem. Fiz minha inscrição e consegui nota suficiente para ser aprovada pelo edital. Nesse ponto eu já gostava e sabia muito sobre a Hungria, descobri, por exemplo, que John von Neumann, um dos mas importantes matemáticos da história e com grande contribuição na computação, era húngaro, e chegou a estudar na mesma universidade que estudo hoje.

Escolho Viajar- Você sempre gostou de viajar? Já tinha ido para fora do país anteriormente?

Marina – Sempre gostei de viajar e de conhecer lugares novos. Ainda no Ensino Fundamental tive inspiração da minha professora de inglês que me contava suas experiências de seis meses na Austrália. Aos 16 anos fiz uma viagem aos Estados Unidos com mais 4 meninas brasileiras. Partimos com o objetivo de conhecer um colégio de Covington-KY da mesma rede do colégio que estudávamos. Ficamos em casas de famílias de meninas que estudavam nesse colégio e participamos da rotina delas durante exatos 22 dias. Guardo essa experiência em minha memória com muito carinho.

Escolho Viajar- Como surgiu a oportunidade de morar aí na Hungria?

Marina – O Ciência sem Fronteiras é um programa do Governo Federal que visa oferecer até 101 mil bolsas de intercâmbio para alunos das áreas prioritárias estabelecidas pelo programa. É preciso se inscrever no edital e ter os requisitos exigidos, como comprovação do domínio da língua requisitado pelo país de destino e nota igual ou superior a 600 no ENEM.

Escolho Viajar- Como sua experiência está sendo custeada?

Marina – A minha experiência está sendo custeada pelo programa Ciência sem Fronteiras que fornece uma bolsa trimestralmente.

Escolho Viajar- Quais foram as suas principais dificuldades até o momento?

Marina – Uma das maiores dificuldades que tive foi a adequação ao novo momento. É muito desafiador chegar em um país sem conhecer ninguém pessoalmente, desembarcar num aeroporto desconhecido sem ter alguém para te recepcionar. Eu precisei aprender desde as coisas mais simples, como ir ao mercado e me locomover utilizando os transportes públicos, até situações mais complicadas, como a necessidade de entrar em contato com o seguro saúde.

Entretanto, a minha principal dificuldade é suportar a saudade das pessoas que deixei no Brasil, família, namorado e amigos. A tecnologia á aliada, mas nada se compara a satisfação da presença.

Escolho Viajar- Como tem sido morar em Budapeste nestes últimos meses?

Marina – Budapeste é uma cidade vibrante, principalmente no verão, quando recebe um grande número de estudantes de toda parte do mundo e muitos turistas que mantêm a cidade em um ritmo acelerado. Durante o inverno o movimento diminui, porém há muito a se fazer, como patinar no gelo e, no fim do ano, visitar o lindo mercado de natal.

Escolho Viajar- Você chegou a conhecer alguma outra cidade da Hungria além de Budapeste?

Marina- Além de Budapeste eu conheci outras quatro cidades húngaras. Tata, há 70km de Budapeste, onde fomos apreciar uma pequena feira de produtos locais e conhecemos o Castelo de Tata, construído em meados de 1300.

Em outra viagem, conheci outras duas cidades, Balatonfüred e Tinhany. Elas ficam na costa norte do maior lago da Hungria, o Balaton, conhecido como a praia húngara. Em Tihany visitei o convento responsável por ter dado início ao desenvolvimento da cidade e em Balatonfüred aproveitamos o lago para aliviar o calor.

Atraída pela fama dos bons vinhos que a Hungria tem, fui para Eger, o centro da região vitivinícola. Lá encontramos uma linda basílica, as ruínas de um castelo que representam a vitória dos húngaros sobre os turcos, e numa região mais baixa da cidade, chamada Szépasszonyvölgy (Vale da Mulher Famosa), encontramos lugares que pareciam cavernas onde era possível degustar e comprar vinhos húngaros.

Balatonfured_-_Lago_Balaton[1] Lago Balaton, localizado a 2 horas de Budapeste é um destino famoso de vernaeio dos Húngaros

Escolho Viajar- Se pudesse recomendar 5 lugares e programas legais para serem feitos na Hungria, quais você recomendaria?

Marina – Andar em Budapeste durante a noite à beira do Danubio, para poder observar a cidade de luzes acesas: as pontes, o parlamento húngaro, o Castelo de Buda. Tudo fica mais bonito ao cair da noite. Vale a pena, também, ter a visão da cidade no alto da Citadella.

Para uma programação de fim de tarde em temperatura agradável recomendo a Margitsziget (ilha de Margarida), que é uma ótima opção. Localizada à beira do Danúbio, conta com grade extensão de área verde, locais adequados para se exercitar ou apenas passar o tempo. Além disso, uma linda fonte nos presenteia “dançando e cantando” de uma em uma hora. À Noite, ela fica ainda mais bonita, quando suas luzes coloridas são ligadas.

Para um pouco de história, o museu Terror Háza (Casa do Terror). Lá é possível conhecer por meio de imagens, sons e declarações como foi o regime ditatorial fascista e comunista no século 20 na Hungria.

Para quem visita a Hungria em Agosto, no auge do verão, é possível participar de um dos maiores festivais de música da Europa que acontece aqui em Budapeste, o Sziget Festival. Pessoas de todo lugar participam durante sete dias de uma programação recheada que reúne bandas de todos os estilos, além de outras atividades, como apresentações circenses, de dança, cultura húngara, bungee jump, e muito mais. No dia 20 de Agosto acontece ainda o mais importante feriado húngaro, que é o dia da Constituição Húngara e de Santo Estevão I, considerado o fundador da Hungria. Nessa noite costuma ocorrer um lindo show de fogos no Danúbio, o que torna, o que já é bonito, simplesmente espetacular!

Margitsziget_no_outono[1] Margitszget (Ilha de Margarida) localizada no Rio Danúbio

Escolho Viajar- Como é a comida aí?

Marina – A comida típica húngara é famosa por ser temperada com páprica e conter muitas vezes batata. No geral eu considero os pratos pesados, com muito molho e forte. Para quem fica pouco tempo é possível apreciar, mas não acrescentei ao meu dia-a-dia.

Eu recomendo a sopa Gulyás, feita com carne, legumes e páprica; o lángos que é considerado o pastel húngaro, já que a massa é frita; e também o Kürtőskalács, uma massa que é assada envolvida a um tubo cilíndrico sobre brasa, fica muito saborosa.

A dica é ter cuidado com as linguiças que são fáceis de encontrar por aqui, pois, muitas delas são fortes e picantes. Aliás, pra quem não gosta ou não é acostumado com pimenta é válido sempre perguntar se o prato é apimentado para não se dar mal.

Ku╠êrto╠ïskala╠ücs[1] Prato típico Húngaro assado na brasa

Escolho Viajar- Você se sente segura de transitar por aí?

Marina – Me sinto muito segura, sei que é preciso cuidar com possíveis batedores de carteira e também ao andar a noite, porém, as ruas são iluminadas durante a noite e os riscos bastante inferiores se compararmos ao Brasil.

Escolho Viajar- Você utiliza mais qual meio de transporte por aí?

Marina – Eu utilizo principalmente o tram (bondinho), e o metrô. O transporte funciona pontualmente e é possível utilizar o aplicativo do Google Maps para sugestão de rotas.

Escolho Viajar- Quais as recompensas que esta experiência tem lhe proporcionado?

Marina – O intercâmbio está me proporcionando ter uma visão mais ampla sobre o mundo, conhecer outras culturas e vivenciar as diferenças. Além disso, uma recompensa que gosto muito é o autoconhecimento, longe do conhecido e sem influências significativas ficam mais claras as características da minha personalidade.

Tenho valorizado muito mais tudo que me fazia bem no Brasil, desde as pessoas até o feijão com arroz (da minha mãe, de preferência)! Ainda tenho estudado muito, a faculdade é exigente e as avaliações rigorosas, além de estar tendo contato com outros estilos de estudantes e professores, os quais sempre têm o que ensinar.

Escolho Viajar- Se pudesse dar algum conselho a pessoas que querem ter uma experiência semelhante a sua, que conselho daria?

Marina – O intercâmbio é um desenvolvimento pessoal incrível e valioso, porém quem tem a intenção de realizar essa experiência tem de estar consciente que muitas dificuldades aparecem no meio do caminho e é preciso estar pronto para enfrentá-las. Acredito que são justamente esses contratempos
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