Couchsurfing é seguro para mulher que viaja sozinha?

- Atualizado em 10 de Março de 2017 - , , , ,

Couchsurfing – ou, surfe de sofá em bom Português – é um programa que conecta habitantes locais a viajantes que buscam por economia, intercâmbio cultural e novas amizades. A plataforma é gratuita e foi lançada em 2004, sendo bastante difundida entre mochileiros e viajantes que buscam uma experiência mais autentica de viagem.



O sistema funciona como uma mútua e não obrigatória troca de hospedagens, interligando desconhecidos. De um lado estão os guests (convidados) que estão a viajar e que desejam ficar na casa de um habitante local. O outro grupo de usuários é composto por moradores que estão dispostos a receber em suas casas alguém que está visitando suas cidades.  Eles são os hosts, ou anfitriões.

O Couchsurfing é uma rede de hospitalidade global que funciona na base da ajuda mútua. Não há custos aos seus usuários através de mensalidades ou quando as hospedagens de fato ocorrem.

Na prática, o interessado cria um perfil preenchendo-o com fotografias e informações pessoais. A pessoa informa se no momento deseja se hospedar na casa de outras pessoas, se quer ser um anfitrião recebendo viajantes em sua casa ou se quer atuar como ambos.

Há espaço para descrever línguas faladas, países já visitados, gostos, expectativas com a plataforma, e, se o objetivo é hospedar, informações sobre a casa e o tipo de aposento que se oferece como hospedagem, por exemplo, um quarto privado, compartilhado ou a sua sala de estar.

Além disso, a plataforma conta com um sistema de avaliação mútua, as quais são visíveis a todos que a utilizam, não sendo elas passíveis de posteriores modificações. Nas avaliações é possível escrever sobre as impressões que anfitriões e hóspedes tiveram um do outro após a experiência. Elas servem ainda como um referencial na hora de solicitar uma estadia ou aprovar a vinda até sua casa de um desconhecido.


Por que utilizar esse sistema de Couchsurfing se é possível ficar em um hostel ou em um hotel?


As razões são inúmeras. A primeira delas e a mais óbvia é a questão de custos. O programa acaba sendo conveniente nesse sentido principalmente a pessoas que vão permanecer por um longo período viajando, algo que está se tornando cada vez mais comum nos dias de hoje com o advento dos mochilões, períodos sabáticos e por aí vai.

Não há dúvidas de que outra das principais vantagens do couchsurfing seja o contato rápido com um habitante local, o que pode gerar trocas culturais, orientações sobre como melhor explorar a cidade (principalmente fora dos circuitos mais batidos), dicas de lugares, restaurantes, eventos, e, é claro, a possibilidade de uma companhia local para conhecer o destino visitado. As experiências por fim podem render novos contatos para futuras viagens e boas amizades.

Já os anfitriões ganham aquela movimentada na sua rotina, também conhecem novas pessoas, trocam experiências, praticam um novo idioma e ganham novos amigos.



Dei sorte no no Couchsurfing I em Florença. Meu couch italiano era metade australiano e adorava praia. Fiquei em sua casa três dias e em um dos dias ele pegou a caranga, dirigiu uma hora e meia e fomos até a praia. Não esperava por nenhuma praia em minha viagem até Firenze. Saí no lucro!


Essa é a explicação teórica sobre a coisa. Mas, a pergunta que minhas amigas sempre me fazem depois de ouvir tudo isso é:


“Mas e aí, como é ficar na casa de um estranho? Não é perigoso?”.


Sempre pode ser perigoso, afinal, quem põem a mão no fogo pela humanidade hoje em dia!?

Eu tive algumas experiências com couchsurfing e não tive até o momento (noc, noc na madeira!) nenhum problema sério, apenas alguns inconvenientes que contarei a seguir. Entretanto, vou compartilhar algumas situações e as minhas estratégias para aumentar minha segurança no uso da plataforma.


Quem é seu futuro hóspede? O que ele está oferecendo?

Você vai ficar na casa de um desconhecido, portanto, que tal investigar um pouco quem promete ser essa pessoa?

Leia todo o perfil da pessoa. Muitas pessoas já dão aquele ar de estranheza nas coisas que escrevem no seu perfil, sem você ter que desperdiçar seu precioso tempo trocando uma mísera mensagem. Quer um exemplo?

Estava eu a procurar um anfitrião em Viena quando me deparo com um perfil de um moço de foto bem simpática, tendo ele em seu perfil mais de 15 avaliações, cheias de estrelinhas de recomendações.

Nos primeiros milésimos fiquei feliz, já pensando que seria alguém que eu poderia contatar e resolver a minha questão sobre hospedagem na cidade. Aí comecei a ler o perfil do moço, que seguia proporcionando uma boa impressão.

Mas aí, macaca velha treinada na busca das tais letras miúdas no rodapé dos contratos de empresas de telefonia móvel da vida que sou, resolvi clicar na aba da plataforma dedicada à descrição das regras de sua casa.

Estava lá escrito algo como “gosto de andar pelado na minha casa e curto que todos aqui circulam sintam-se confortáveis a ponto de fazerem o mesmo.”

Oi?! Cê tá di brincation to me, né?!

Moral da história do peladão: ele que ande pelado na casa dele… Mas nós que não queremos não somos obrigadas e vamos passar bem longe dessa porta!

Moral da vida: as pessoas não leem as coisas.

Prova disso, é que perfis que são muito requisitados para hospedagem no Couchsurfing recebem tantos pedidos de pessoas que se quer leram as informações disponibilizadas por eles (datas, regras da casa), que eles acabam colocando perguntas e respostas secretas no meio de suas descrições, a serem incluídas nas mensagens junto aos pedidos de hospedagem aos mesmos.

Quer uma outra história para reforçar a necessidade de investigação dos anfitriões?

Já li várias vezes na parte de descrição do domicílio algo como “aqui tenho apenas uma cama e não há nenhum sofá, portanto quem vier tem de dividir a cama comigo”.

Um minuto de silêncio pela ousadia de alguns, por favor.

(…)

Seguindo… Já quando o perfil do host passa no teste, é hora de buscar mais informações. A empresa recomenda denúncias de perfis falsos ou qualquer situação estranha vivenciada por intermédio da plataforma. Entretanto, diria para a filha  que ainda não tenho, nunca confiar no sistema 100% e trocar mensagens, pesquisar sobre a pessoa no Google, no Facebook, no Linkedin…

Um outro pequeno detalhe que eu sempre observo é a tal “preferência” do host. Sinto mais confiança naqueles que sinalizam ter preferência por hospedar tanto homens quanto mulheres. Isso me passa a ideia de que o que se procura é a tal troca cultural a que o programa se dispõem. Por outro lado, fico bem mais atenta quando é explícito que o host deseja hospedar “apenas mulheres”. Sinceramente, me soa como um problema.

Entretanto, discutindo essa questão com um amigo certa vez, ele me disse que preferia hospedar sempre meninas pois ele confiava mais ter em sua casa mulheres e que também julgava elas mais cuidadosas com a sua casa.



Novamente sorte no Couchsurfing II em Florença. Agora meu Couch italiano era o Camilo, que queria praticar Espanhol pois estava escrevendo uma dissertação de mestrado em um programa de pós na Argentina. Aqui estamos em um lugar “secreto”, como brincou ele. Um lugar comumente frequentando pelos jovens locais, longe das aglomerações dos turistas da cidade. Por aqui as pessoas sentam na calçada e até mesmo no chão e degustam vinhos baratos (e de boa qualidade!).


Planejar com antecedência permite uma melhor seleção

Se você deixar para fazer tudo na última hora você não vai ter tempo de saber muita coisa sobre a pessoa. Faça contato alguns dias antes com os anfitriões de seu interesse e use os dias seguintes para tecer suas impressões sobre eles.

Considere ficar na casa de outras meninas, casais ou famílias

Apesar de ser mais comum encontrar perfis de homens solteiros oferecendo hospedagem, no Couchsurfing também há vários perfis de outras meninas, casais e famílias que desejam hospedar.



Em Graz, na Áustria, fiquei na casa do Thomas enquanto sua irmã também aproveitava as férias para o visitar. Aqui estamos do alto de um prédio, que nada mais é do que uma loja de roupas de onde é possível ter uma vista exclusiva da cidade (quando eu descobriria este lugar se não fosse por eles?!). 



Depois do “mirante” acompanhei os irmãos a tocarem música clássica nas ruas de Graz. Além de poder apreciar os dois (que tocavam muito bem!), fiquei por dentro do esquema do funcionamento desse tipo de atividade na rua na cidade. Apesar dos irmãos tocarem em orquestras na Áustria, eles possuem sua rotina ligada aos seus estudos em outras áreas. Para apresentar-se na rua é preciso solicitar uma autorização da prefeitura, a qual determina a duração e os horários possíveis. Não é possível permanecer muito tempo em um mesmo local e é necessário cumprir outras regras.

Foi a primeira vez que acompanhei alguém tocando música na rua por tanto tempo. Como “fazia parte do grupo” (como tiete, hehe), estando desta vez do outro lado da história, percebi melhor os sentimentos das pessoas que exercem esse tipo de atividade: como se preparam e como ficam felizes com os sorrisos e apreço de seu trabalho.


Verifique a localização da casa do hóspede

Inclua ainda uma pesquisa sobre em que área da cidade é este local. Dê preferência por locais mais centrais, seguros e bem conectados com o transporte urbano. Isso funciona tanto como segurança e também como conveniência para suas andanças na cidade.

Regra da Cinderela

A minha regra da Cinderela é a seguinte: sempre evito chegar em uma nova cidade, em um novo hotel, hostel ou host de Couchsurfing de noite. Isso porque gosto de ter uma visão mais ampla do local onde vou transitar pela primeira vez. Além disso, à luz do dia geralmente é mais fácil de se localizar, de utilizar o transporte público ou pegar um táxi, por exemplo.

Deixe claro que você não tem segundas intenções, se esse for o caso

De fato não está lá nas premissas do Couchsurfing que a plataforma serve como meio de paquera. A ideia da coisa, como dito anteriormente, é outra.

Entretanto, dizem os antigos fãs do método que o perfil do usuário mudou nos últimos anos e que hoje muitos homens e mulheres, viajantes ou anfitriões acabam usando o app também na expectativa de que role aquele algo mais. Ou somente com essa expectativa.

Basta conversar em off sobre as experiências de outros usuários com a plataforma para saber que isso de fato ocorre.

No meu caso eu nunca vi a plataforma dessa maneira e também nunca busquei este objetivo, apesar de sempre ter estado atenta de que isto poderia ser uma realidade com a qual eu teria de lidar.

Por exemplo, eu tentei usar o Couchsurfing na Croácia mas não consegui. Não estou dizendo que não dá para usar o aplicativo por lá, mas que comigo naqueles dias em específico não deu certo. Isso porque contatei alguns hóspedes antes e recebi mensagens que desviavam da questão da hospedagem ou da apresentação da cidade, mas frisavam o convite para “sair tomar alguma coisa à noite”. O problema com estas mensagens foi muito mais o tom delas do que os convites em si. Por não me sentir segura acabei deixando de lado.

Depois disso, copiei uma frase em um perfil que vi de um menino e incluí na minha descrição: “I don´t use couchsurfing as a mean of dating. There´s Tinder for that.” Creio que isso ajudou a dar uma bloqueada em algumas situações inconvenientes.

Agora se você me perguntar se eu já beijei na boca por causa do Couchsurfing, preciso dizer que nunca foi o objetivo mas que já aconteceu. Ops…

Também dá para conhecer novas pessoas sem se hospedar na casa delas

Conhecer pessoas locais sem ficar na casa delas também é possível através do aplicativo

Ao chegar na cidade de destino, você pode ativar a função “hangout”. Essa função tem a intenção de conectar usuários que se encontram na mesma cidade para realizarem atividades com objetivos em comum, como explorar a cidade juntos, por exemplo.

Na minha primeira semana em Viena, quando ainda não tinha nenhum amigo por aqui, estava eu um belo dia um pouco entediada no hostel mexendo no celular e descobri esta função. Assim conheci um de meus melhores amigos aqui em Viena.

“Procuro alguém para dividir um café no parque central agora”, foi a frase que me chamou a atenção naquele dia.

Dei uma investigada, e por ser um convite para uma atividade aparentemente inofensiva e em um local público, decidi arriscar. Do tal café nasceu uma grande amizade com uma pessoa que acabou por me ajudar muito aqui nos meus primeiros passos em Viena.

Também através do aplicativo conheci um grupo na cidade que se reúne semanalmente em um café para praticar Alemão e outras línguas.


Eis o moço do café. Aqui ele, que é mais antigo na cidade, me apresenta  nas minhas primeiras semanas em Viena um ponto especial para pedalar próximo às águas do rio Danúbio


Confie sempre desconfiando

Devemos confiar nas pessoas, essa é uma regra de entrega que nos permite fazer amigos e viver grandes experiências. Afinal, sem entrega não há dor nem amor.

Porém, não podemos ser tão ingênuos de confiar em tudo que vemos ou nos dizem.

Prova disso é que já se tem notícias de crimes cometidos por pessoas que se valeram do Couchsurfing, como por exemplo estes citados na mídia internacional (aqui e aqui).

Se não sentir segurança, pegue suas coisas e vá embora

Simples assim. Sem mais.

Só não esqueça de denunciar o ocorrido ou incluir isso na sua avaliação sobre a pessoa.

Por fim, se você estiver certa(o) de que deseja viver esta experiência, tome as devidas precauções e aproveite ao máximo o lado bom da invenção!


Quer ler mais sobre outras experiências de mulheres com o Couchsurfing?

– A Patrícia do blog Bagagem de Memórias conta sobre suas experiências de Couchsurfing na Ásia

– A Thaís tem um post sobre sua primeira experiência de couchsurfing (Dinamarca)

– A Angie do blog Apure Guria também comenta sobre algumas situações estranhas relacionadas ao aplicativo

 

 

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