Chega de Croácia, eu vou pra Bósnia! (de Split até Mostar de ônibus)

- Atualizado em 26 de Fevereiro de 2017 - , , , ,

Quando saí do Brasil em Junho de 2016, a ideia era ficar fora do Brasil e de minha rotina por um ano. O plano era iniciar pela Itália nos arredores de Roma para finalizar o processo de cidadania italiana, depois, partir para a Sicília para vivenciar a região por um mês e, partir para a Croácia.

Fazia parte do riscado proibir-me de fazer qualquer tipo de planejamento para depois dela. Por isso, o país era um aguardado limite que demarcava quem eu ainda pensava que era e quem eu começava a admitir ser já fora de muitas de minhas amarras obsessivas de organização, planejamento e controle sobre a vida que sempre carreguei comigo.

Então, até a Sicília ocorreu tudo sem surpresas. Praia, comida boa, novos amigos, aquele caminhar ainda turistão por monumentos e pontos turísticos, empolgação em alta com a viagem e a passagem comprada para o próximo destino.

Depois, parti para a Croácia até a bela cidade de Split (consegui passagem de Palermo na Sicília por 70 Euros!).

Até eu descer do avião achava que passaria um mês explorando o país.

Mas aí em Split constatei uma verdade com a qual briguei a vida inteira: sou uma pessoa chata. Certamente outros já sabiam, hahaha.

Me dei conta do quanto era pelo seguinte. A Croácia estava ali, linda sob meus pés, cheia de ilhas maravilhosas e festas badaladas aos ares do verão.

Mas aí, tudo o que eu pensei foi de sair correndo dali.



Split na Croácia vista do alto: cidade linda, mas o santo do momento não bateu.

Opa! Essa perna peluda não é minha e essa é uma outra história!


Depois da experiência de um mês no Hostel Siciliano, ver o povo super bem vestido, transitando e parando em meio a cliques de aparatos de última geração, braços contraídos para salientar a musculatura entre o segurar de uma bebida colorida e outra, decidi que ficaria na Croácia apenas quatro noites.

Já estava cansada de ter de fugir do sol a maior parte do dia, de ver turistas e mais turistas secando os olhos no ar em busca de coisas que iam muito além do mar lindo que existia em sua frente.

“Não quero mais saber deste cenário: amanhã vou para a Bósnia!” – pensei comigo.

Na rodoviária localizada no centro de Split, comprei um ticket até a cidade de Mostar. A verdade é que achei estar comprando bilhete para um ônibus, mas, como a língua croata não é meu forte nos dias pares, o ticket que adquiri foi para um micro-ônibus abarrotado de malas e gente. Se havia opção melhor, eu não sei.


De Split a Mostar de ônibus

Ao custo foi de 129.000 Kunas, parti da plataforma dois em um trajeto com duração de quatro horas, passando pela cidade de Imotski.

Um aviso aos desavisados que vão fazer o mesmo trajeto: tem que separar 8 kunas para dar para o motora que fede a cigarros guardar sua mala na fubanga e não, não pode ser euros, reais ou pesos argentinos. Caso você insista em pagar com moedas inconvenientes ao momento, ele vai te dizer umas coisas que traduzi como “vai a merda, seu/sua %$#$!”. Melhor evitar a fadiga e deixar o cara calminho para guiar o povo nas “suaves” curvas que os conduzirão à Mostar.

Depois de duas horas e meia na estrada, ele vai parar o carro, você não vai entender, mas ele só está pedindo os passaportes de todos para levar até os oficias da fronteira Croácia e Bósnia.

Neste site você pode conferir algumas rotas de ônibus da Croácia e Bósnia.



Rodoviária central de Split.


Medo. Isso era o que eu sentia de estar ali, sozinha, com uma mochila chegando em um país sobre o qual tão pouco sabia.

Não havia lido nada, nem sabia direito onde tinha de ir quando descesse do ônibus, nem se iria conseguir me comunicar e como que raios seria aquele país. Além disso nunca havia sequer conhecido alguma pessoa da Bósnia e as últimas imagens que circulavam na minha cabeça sobre o país eram cenas trágicas de um de meus filmes favoritos: Venuto al Mondo.

Por falar nele, engraçado como a vida é. Um ano antes, estava eu ao lado de minha mãe ainda viva, assistindo este filme com a pele eriçada, matutando na minha cabeça maluca como seria um dia colocar os pés em Sarajevo.

Cá não estava mais ela. Venoto al Mundo: cá estava eu no mundo.


Fubanga se aproximando da cidade de Mostar e o nervoso aumentando…


Cheguei. Desci. Olhei no mapa do google salvo no celular e rumei para o Majdas Hostel, dica de um hóspede que conheci no hostel da Sicília.



Caminhei com meus 12 quilos nas costas até minha “nova casa”. Foi fácil. Ninguém estranho pelo caminho.

Fui recebida em uma casa colorida. Um pedaço de bolo e suco na chegada.



Deram-me um pedaço de papel e canetas coloridas para escrever meu nome em um papel que seria indicativo de minha cama em e meio as demais de um quarto misto. Nunca tenho criatividade nessas horas: “Karen” com letras coloridas e pronto. Nenhum desenho.

Hostel com cheiro e gosto de casa por menos de 10 Euros! Larguei minha mochila e saí para caminhar.


Rumo ao centro da cidade antiga, vi de longe uma área aberta com grama verde e pensei de ver ali o pôr do sol na cidade. Sim, era grama, mas não apenas grama.

Depois entendi. Mostar não tem quase praças ou parques. Eles existiram, mas alguns tiveram de ceder lugar aos mortos no conflito das recentes décadas passadas.

Aguardei o pôr do sol ali mesmo, enquanto observava a data de todas as lápides.

Com o estômago embrulhado, caminhei mais um pouco em busca da janta e pistas de como seria o dia de amanhã por aqui.

Falando em pistas, aí vão algumas sobre o que falarei nos próximos posts:

1- O lugar mais lindo que encontrei em toda minha viagem até o momento.


2- Visita à antiga Sniper Tower


3- As incríveis cachoeiras que você jamais imaginou encontrar na Bósnia


 

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