A grama é mais verde no Rio ou em Viena? – Um passeio no Danúbio

- Atualizado em 30 de setembro de 2016 - , , , ,

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Escuto ele falar sobre como sua vida será melhor no Brasil. Sobre como aqui tudo é tão mais chato, simétrico, limpo e como é ruim todo mundo em sua volta ser tão previsível. Viena não lhe agrada e não é neste rio que sua cabeça está agora. Lá no Rio seu “coração vibra, fazendo sentir a vida”. Lá tudo será melhor, afirma ele.

Estamos sentados frente a frente e neste exato momento desejamos ter tido uma inversão de lugares. Cortar de vez a história de visto, passaporte, câmbio, conhecimento da língua, paranauês de papéis que são difíceis de encontrar e entender quando não se sabe a língua e o funcionamento de um país novo. Assim ficava logo tudo mais fácil e daria para pularmos para a parte mais alegre da coisa!

“Como eu queria saber mais Português”, diz ele. “Como eu queria conseguir me comunicar em Alemão”, penso eu. “Eu invejo seu passaporte brasileiro. Você vai sentir falta de muita coisa aqui e eu espero achar um jeito de conseguir ficar na sua terra por muito tempo e de forma legal”.

Em  dez dias ele parte. Há dez dias cheguei. Nesses encontros bizarros da vida, na metade do caminho entre a minha e a sua trajetória, arrumamos duas mãos amigas que dizem como sambar por aqui e como a ópera funciona por lá.

“Sua grama é mais verde”.

“Não, a sua é que é!”

Dois leoninos nascidos no mesmo ano, praticamente nos mesmos vinte e poucos dias do mês de Julho. Eu no inverno do sul do Brasil. Ele no verão da Áustria. Dois trintões cheios de sonhos de lados opostos do mundo um do outro não são irão concordar com ideias opostas muito facilmente.

Enquanto não há conciliação nos nossos anseios e nossas afirmações, concordamos com uma coisa: que sorte o dia de hoje: sol, calorzinho, este lugar!


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“Karen, não quero estragar seu barato, mas logo o frio vai chegar por aqui. Te mando uma foto da praia tomando minha Antártica”.

(…)

Já me perguntaram porque decidi ficar alguns meses em Viena.

O que penso de Viena até o momento é que se Viena fosse um homem seria um desses de coração bom. Do tipo que infelizmente não sabe dançar e não tem muito senso de humor, mas que qualquer um se sente bem em ficar por perto.

De qualquer forma minha decisão de permanecer um tempo aqui é muito mais uma questão de “timing” pessoal do que pela cidade em si.

Estava viajando desde o final de junho deste ano, sempre pensando no próximo destino. Fiz e refiz minha mochila pelo menos 20 vezes. Quase todos os dias tive de pensar onde iria dormir e nos últimos tempos comecei a acordar no meio da noite com a preocupação de onde iria dormir na próxima.  Assim, descobri que sou muito neurótica para uma vida completamente cigana.

Eu tenho a fatiota. Mas só gosto de brincar com ela de vez em quando. Depois preciso ver ela dobradinha no armário, para ter paz e não sentir que tudo é um caos despropositado e não construtivista.

Conheci muitas pessoas interessantes que entraram e saíram de minha vida dentro de no máximo cinco dias dizendo tchau com a mesma brevidade com que acessamos e demos permissão aos nossos segredos de vidas inteiras. Isso foi intenso e maravilhoso, claro. Só que não ter tempo suficiente para conhecer as chatices de cada um é algo fácil, porém, superficial, covarde e que pouco acrescenta numa alma inquieta não de destinos, necessariamente, mas de experiências em si.

Pensei e pensei em todas as coisas que senti nos últimos tempos conhecendo viajantes de todo o mundo e cidades diferentes todas as semanas. Nem havia se passado tanto tempo assim, mas, decidi que queria simplesmente não fazer mais minha malas. Era hora de aceitar simplesmente o chão em que eu pisava no momento, enfrentar certos medos cabeludos sem buscar respostas na próxima cidade, e, sim, exatamente onde eu estava.

Afinal, quem começa a dieta na segunda-feira acaba por nunca começar.

Estava em crise existencial. Mentalmente e fisicamente cansada daquilo que eu sempre havia sonhado em fazer e daquilo que um a cada dois amigos diziam me invejar por estar vivendo. O sonho de sair com uma mochila nas costas sem rumo, sem roteiro certo, vivendo cada semana em um lugar diferente começou a me nausear. Descobri que não sou tão descolada assim. Eu sou uma chata, que gosta de rotina. Paciência!

No dia em que decidir parar por aqui, fiquei quatro horas andando sem mapa pelas ruas de Viena. Apenas caminhava, olhava algum monumento, olhava para dentro. Parava em algum banco. Andava mais um pouco. Sentava na grama. Nem um banco, nem o chão. Nem para cá nem para lá. Nem com mapa nem sem mapa. Algo está errado. Ao mesmo tempo pensava onde iria dormir, onde iria comer, quanto iria gastar.

“Chega!”.

Foi paixão? Não foi não. Foi conveniência? Não foi não.

Foi cansaço. Foi um vazio de mindfulness. Foi por causa de algumas respostas que já encontrei. Foi por causa de outras questões que preciso solucionar.

Viena: a capital europeia que foi eleita por mais de cinco anos consecutivos como uma das cidades com melhor qualidade de vida do mundo para se viver.

“Então, por que não aqui?”


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O Danúbio corta Viena como um cinto e atravessa também diversas outras capitais europeias. O rio, que em alemão é chamado “Donau”, foi incluído como Patrimônio Mundial da UNESCO.

Conhecer o Danúbio é uma dica legal de passeio em Viena. Para isso, você pode ir até a Marina-Hofbauer. Por lá é possível alugar alguns tipos de embarcações para percorrer um trecho das águas do Alto Danúbio. Os preços variam conforme a escolha da embarcação e o tempo de seu uso.

Nós testamos um barco, e pagamos um total de 10 euros. Passeamos em torno de uns 40 minutos pelas águas calmas (neste ponto) do Danúbio, ao som de alguns vagões passavam por essa ponte aí da foto e enquanto observávamos alguns prédios comerciais bem altos da região.

A localização precisa deste ponto é Wagramer Str. 49, coordenadas 48.236958, 16.425463.

É possível encontrar maiores informações sobre valores no site da Marina-Hobauer.


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